Por Lua
“Ei, menina!” “Acorda, vai” “Você pode nos ouvir?” Comecei a ouvir sussurros assim enquanto eu abria os olhos com dificuldade e começava a tossir e cuspir água. Minha cabeça estava explodindo e meu corpo estava dolorido. Aos poucos minha visão ia voltando ao normal e eu pude ver três pessoas olhando para mim: Uma menina loira de cabelos lisos e ondulados nas pontas, que mais parecia ter saído de um conto da Cinderela, um menino de cabelo castanho bagunçado que estava encharcado de água e uma menina alta de cabelos longos e escuros, muito bonita por sinal. A Cinderela falava:
- Hey! Você abriu os olhos! Como se sente? Está tudo bem?
Eu comecei a tossir e tentei me levantar. Olhei ao meu redor e estava em uma casa desconhecida, enoooorme. Enquanto a menina de cabelos escuros me secava, a Cinderela não parava de falar:
- Dá pra você dizer alguma coisa? Olha, eu passei um creminho no seu cabelo. Tava muito ressecado por causa da água do mar e super armado. Mas não se preocupe, fez muito bem pra ele.
Eu cheirei uma mexa do meu cabelo e fiz uma expressão de nojo que não agradou muito a Cinderela. Mas estava totalmente insuportável aquele odor de princesinha. Então, o garoto que estava com elas me falou:
- Você se afogou quando estava nadando no mar hoje mais cedo. A gente ouviu seus gritos e eu fui até lá te tirar da água. Aqui é a casa da Mel – Ele apontou para a menina de cabelos escuros – Meu nome é Chay e o dela – Ele apontou para a Cinderela – é Sophia.
Eu comecei a tossir de novo e me sentei na cama com dificuldade, dizendo:
- Típico de mim. Obrigada, Chay!
- Por nada. Mas tome mais cuidado da próxima vez. – Ele disse, sorrindo e eu sorri também. – A propósito, qual é o seu nome?
- Lua, prazer. Eu não sou daqui, vim de Los Angeles passar as férias na casa do meu pai. Me desculpem pelo trabalho que dei a vocês, não queria ter incomodado.
- Nós percebemos que você não é daqui, que tipo de pessoa que conhece nossa cidade nada em um lugar tão fundo? – Mel falou e dessa vez, todos nós rimos. – Não há de quê, Lua. Separei roupas minhas enxutas pra você vestir, estão no meu quarto. É só subir as escadas e virar na segunda porta à direita.
- Tudo bem. Obrigada mais uma vez. – Falei e em seguida subi as escadas enrolada em uma toalha branca, morrendo de frio, a propósito.
Estava meio confusa com tantas portas, virei pra trás pra me certificar que eles não estavam rindo de mim outra vez e quando virei novamente, esbarrei com um garoto forte, de cabelos pretos e de olhos absurdamente lindos que estava mexendo no celular, me desequilibrei e caí. Ótimo, Lua, você está se saindo mais desastrada do que costuma ser. O garoto me ajudou a levantar e disse:
- Desculpa, eu estava distraído com o celular. Você se machucou? Está tudo bem? – Ele me olhou nos olhos e me parecia realmente preocupado com o meu tombo, que na verdade não tinha sido nada. Eu fiquei calada por um segundo, hipnotizada, confesso. Como alguém pode roubar a beleza do mundo inteiro para si?
- Ah, n-não. Me desculpe você. Eu é que sou desastrada mesmo. Está tudo bem comigo. – Falei, com uma voz fraca.
- Você deve ser amiga da Mel, certo? Por que está molhada?
- Não, na verdade acabei de conhecê-la. Eu me afoguei no mar hoje, eles me ajudaram e me trouxeram pra cá, a Mel e os amigos dela. – Senti meu rosto corar.
- Mas você está bem mesmo? Deixa eu te levar até o quarto da Mel.
- Sim, estou. Obrigada. – Falei enquanto ele me levava até a segunda porta.
- Então, eu sou Arthur, irmão da Mel. E você é …?
- L-lua. – Eu estava impressionada comigo mesma. Estava parecendo uma boba.
- Seu nome é lindo. Você não é da cidade, certo? Nunca te vi por aqui. – Percebi uma oscilação na voz dele quando disse a última frase.
- Não, sou de Los Angeles. Vim passar as férias na casa do meu pai.
- Ah sim. E então, Lua, acho que você deve estar querendo tomar um banho e trocar de roupa, o banheiro é logo ali. Vou te deixar sozinha. Foi um prazer, a gente se vê em breve. – Pode ter sido impressão, mas senti o sorriso dele ficar mais intenso quando ele falou “a gente se vê em breve”. Senti que estava corando de novo.
- Claro, foi um prazer. Até breve. – Sorri, tímida e ele saiu do quarto fechando a porta com cuidado.
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