segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

WEB LuAr - Capítulo 26 / Parte 7 :

Ele não disse nada por alguns segundos, processando meu pedido inesperado, e eu não conseguia impedir as lágrimas de rolarem livremente por meu rosto. Pode parecer mentira, mas eu me sentia extremamente carente, e uma certa saudade de Thur me atingiu ao ouvir sua voz, fazendo-me apoiar meu queixo em meus joelhos e imaginar por um segundo que era em seu ombro que minha cabeça repousava. 
- Claro… Eu só não sei se sou muito bom nisso – ele gaguejou, recuperando a firmeza aos poucos - Mas prometo dar o meu melhor. 
- Obrigada – sorri fraco, grata, e me deitei lentamente na cama, encolhida. Querendo ainda mais que pudéssemos conversar pessoalmente, e que seu hálito de canela pudesse bater em meu rosto a cada palavra, e que suas mãos pudessem fazer carinho em minha cintura enquanto sua voz me fazia viajar para um lugar bom. 
- Hm… Sobre o que você quer conversar? – ele perguntou, sem saber bem por onde começar. Pensei por alguns segundos, e uma pergunta me veio à mente. 
- Por que não foi ao baile? 
- Eu fui – Thur respondeu, e eu franzi a testa, confusa – Mas é claro que você não estava lá, e eu não tive motivos pra ficar. Além do mais, eu esqueci a Maria, e tive que sair correndo pra buscá-la… 
- Espera um pouco – falei, interrompendo-o, sem saber se tinha ouvido direito – 
Você esqueceu a Maria? 
- Por que a surpresa? Eu faço isso com mais freqüência do que você imagina – ele sorriu, e eu não pude deixar de rir nem que fosse um pouco, imaginando a cena de Maria chegando atrasada ao baile, sem acompanhante e completamente enfurecida – Ela deve ter me entupido de magia negra, mas eu não me importo. Não se surpreenda se eu me cortar fazendo a barba e sangrar até morrer, a culpa é toda dela. 
- Credo! – eu o repreendi, ainda rindo de leve, e assim que voltamos a ficar sérios, um longo silêncio predominou. 
- Lua? – ele chamou, quando eu já estava começando a achar que a ligação havia caído. 
- Hm? 
- Nada… Só quis me certificar de que não estava segurando o telefone à toa. 
Sorri fraco, perguntando-me se existia algum tipo de conexão entre nossas mentes para que pensássemos a mesma coisa no mesmo momento. Ficamos mais algum tempo em silêncio, apenas ouvindo as respirações um do outro, até que eu o quebrei, sem saber direito se me arrependeria por isso. 
- Thur? 
- Hm? 
- Eu não consigo… Escolher. 
Meus olhos vagavam pelas cortinas ondulantes, ainda levemente úmidos, e parte de minha mente imaginava que expressão seu rosto havia adotado. Ele com certeza sabia do que eu estava falando; não eram necessárias mais palavras para que ele me entendesse. 
- Você sabe que não posso te ajudar nisso – ele suspirou, após digerir minha frase – Não conseguiria ser imparcial num assunto como esse. 
Fiquei em silêncio novamente, sem saber o que responder, e Thur continuou a falar após algum tempo. 
- Eu quero que Mica seja feliz, de verdade, e quero muito que você também seja. Mas, sinceramente, eu não vejo como ele pode te fazer verdadeiramente feliz… Sendo que você tem a mim. 
Agradeci mentalmente o fato de estar deitada. Se estivesse em pé, teria desmontado feito um castelinho de cartas cuja base foi desfalcada após ouvi-lo falar aquilo. 
- Ele me faz feliz – murmurei, franzindo levemente a testa ao pensar na alegria que sentia quando estava com Mica – O problema é que… Você também. 
- Me desculpe por isso – ele pediu, um tanto irônico, interpretando minha frase de uma maneira um tanto errada – Vou tentar te magoar mais freqüentemente de hoje em diante. Quem sabe assim eu te ajude a tomar a decisão certa que você tanto deseja. 
- Não seja idiota – falei, sentindo a acidez de seu tom de voz destruir o pouco de estabilidade que começara a se reconstruir em mim. Por que ele estava sendo tão estúpido? Era compreensível que ele se sentisse apreensivo sobre aquele assunto, mas eu estava no olho do furacão e não estava distribuindo patadas! 
- Não seja idiota 
você – ele retrucou, e respirou fundo logo em seguida, provavelmente guardando para si as palavras que realmente desejava dizer – Só me avise quando decidir, está bem? Eu odiaria estar mal informado sobre esse assunto. 
- Você provavelmente vai descobrir isso sozinho – eu disse, sem emoção – Procure nos jornais pela notícia de uma garota de 17 anos que morreu ao se atirar de um prédio e vai ter sua resposta. 
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